Uma nova chance de viver: histórias de quem recomeçou após um transplante no Hospital Adventista Silvestre

por | 30/09/2026 | Depoimentos, Dicas, Eventos, Excelência, Saúde, Silvestre, Transplante

Para quem aguarda um transplante, a vida pode parecer suspensa entre a rotina do tratamento e a expectativa por uma ligação que pode mudar tudo. Para quem recebe um novo órgão, porém, a cirurgia não representa o fim da espera. É o início de uma nova etapa, marcada por cuidados, adaptações, desafios e, sobretudo, pela possibilidade de continuar.

Foi para olhar para essa história que acontece depois do centro cirúrgico que o Hospital Adventista Silvestre realizou, em setembro, o 1º Encontro de Transplantados da instituição. Dez pacientes participaram da programação e foram convidados a registrar, em uma carta, o que o transplante significou em suas vidas.

O resultado foi um conjunto de relatos que ultrapassa os números de um procedimento médico. As cartas falam sobre anos de hemodiálise, perdas familiares, doadores vivos e desconhecidos, fé, medo, gratidão, trabalho, família e sonhos que voltaram a fazer parte do cotidiano.

São histórias diferentes, mas que têm algo em comum: a experiência de receber uma nova possibilidade de vida.

Onze anos de espera e uma nova possibilidade

Danielle Clemente Menezes conhece de perto o que significa esperar.

Antes de receber um rim, em 5 de dezembro de 2011, ela passou 11 anos em hemodiálise. Durante parte desse período, precisou se afastar do trabalho e conviver com as limitações provocadas pela insuficiência renal.

A mudança veio de dentro da própria família. Sua irmã, Monalisa, tornou-se sua doadora.

Em 2026, Danielle completa 15 anos de transplante. Ao escrever para o encontro, porém, ela escolheu não concentrar sua história na cirurgia, mas nas possibilidades que surgiram depois dela.

“O transplante não me deu apenas um novo rim. Ele me devolveu possibilidades. Possibilidade de sonhar, trabalhar, construir, cuidar da minha família e voltar a acreditar no futuro.”

A trajetória de Danielle mostra que o transplante representa mais do que a substituição de um órgão. Depois do procedimento, começa o desafio de reconstruir a rotina e redescobrir projetos que, muitas vezes, precisaram ser interrompidos durante anos de tratamento.

O “sim” de um desconhecido

A espera de Allison de Andrade da Silva foi ainda mais longa. Foram quase 18 anos de hemodiálise.

Em sua carta, ele relembrou as limitações e as incertezas provocadas pela doença renal, além dos impactos que a enfermidade trouxe para sua família. O pai faleceu e o irmão continua em tratamento, enquanto a mãe segue em acompanhamento conservador.

Mas existe uma parte fundamental de sua história que Allison nunca poderá conhecer completamente: a identidade da pessoa que autorizou a doação que tornou seu transplante possível.

“Eu nunca ouvi o ‘sim’ que tornou o meu transplante possível… Mas eu vivo, todos os dias, a resposta que ele deixou, pois esse sim salvou a minha vida e continua salvando todos os dias até hoje.”

A experiência também evidencia uma das particularidades do transplante: em muitos casos, receptor e doador não se conhecem. Ainda assim, uma decisão tomada em um momento de perda pode produzir consequências concretas para outra família durante muitos anos.

Uma nova chance não significa uma vida sem desafios

As histórias apresentadas no encontro não seguem um único roteiro.

Margareth da Costa Azevedo Gioia, aos 33 anos, traz uma trajetória familiar profundamente marcada pela doença renal. Passou pela hemodiálise e perdeu a mãe, uma tia e um irmão para a doença. Hoje, também acompanha o tratamento do filho, que faz diálise e está em avaliação para transplante. Sua carta registra, ao mesmo tempo, as dificuldades enfrentadas e a gratidão pela oportunidade que recebeu.

Prissaine dos Santos Crespo escolheu falar sobre o futuro que voltou a fazer sentido depois do transplante. Em sua carta, relaciona a nova oportunidade às diferentes possibilidades de ser, sonhar e ensinar que passaram a fazer parte de sua vida.

Marcos Nunes Ferreirinha, transplantado de fígado em 2013, destacou a importância da esposa, sua doadora viva. Depois de enfrentar cirrose, ascite, dores e incertezas, ele passou a enxergar o transplante como um divisor de águas em sua trajetória.

Adriano de Freitas Ferreira recebeu um novo rim em 16 de setembro de 2013. O doador foi seu pai. Naquele mesmo momento, Adriano também se tornou o paciente de número 100 do programa de transplantes renais do Hospital Adventista Silvestre.

Mais de uma década depois, aquele número deixou de representar apenas um marco para o serviço. Tornou-se parte da história de uma família que encontrou na doação uma possibilidade concreta de recomeço.

Alexandre Guimarães Martins, transplantado em 2024, escreveu sobre uma transformação que nem sempre aparece nos indicadores hospitalares: a valorização das coisas simples. Acordar, respirar com tranquilidade, estar perto da família e ouvir uma palavra amiga passaram a ter outro significado.

A vida depois do transplante

A reflexão proposta durante o encontro foi justamente sobre essa nova etapa.

A palestrante Rita Rabello falou sobre recomeços e sobre a compreensão de que uma segunda chance não significa necessariamente uma vida perfeita. O transplante não elimina os cuidados, as limitações ou os desafios. O que muda é a possibilidade de viver essas experiências a partir de uma nova perspectiva.

A mensagem dialogou diretamente com os relatos dos pacientes.

O transplante não apaga a história anterior. As marcas do tratamento continuam fazendo parte da trajetória de cada pessoa. Mas uma nova oportunidade permite acrescentar outros capítulos a essa história.

Uma trajetória que também é feita de números

As dez histórias apresentadas no encontro fazem parte de uma trajetória maior.

O Hospital Adventista Silvestre realiza transplantes desde 2010 e, segundo dados divulgados pela instituição em setembro de 2026, já alcançou 1.688 transplantes de rim e fígado.

O programa renal contabiliza 461 transplantes desde 2011, enquanto o programa hepático ultrapassou a marca de mil procedimentos, chegando a 1.227 transplantes de fígado.

A história do hospital também é marcada pelo pioneirismo. Em 1968, o Silvestre realizou o primeiro transplante de pâncreas do mundo utilizando a técnica segmentar isolada, marco que integra a trajetória da instituição na área de transplantes.

Em setembro de 2026, outro capítulo foi acrescentado a essa história: o hospital realizou o primeiro transplante de intestino isolado do Estado do Rio de Janeiro.

A cirurgia durou aproximadamente seis horas e foi realizada em uma paciente de 40 anos com síndrome do intestino curto, falência intestinal e desnutrição severa.

Desde janeiro de 2026, o Hospital Adventista Silvestre também consta no cadastro do Ministério da Saúde como estabelecimento habilitado para transplante de intestino delgado ou multivisceral.

Esses números ajudam a dimensionar a experiência técnica construída pelo programa ao longo dos anos. Mas o encontro mostrou que, por trás de cada procedimento, existe uma história que as estatísticas não conseguem contar sozinhas.

Quando o número ganha um rosto

No encontro, os números ganharam nomes, rostos e histórias.

Danielle falou sobre as possibilidades que voltaram a existir. Allison, sobre o “sim” de alguém que nunca conheceu. Margareth, sobre gratidão em meio a uma trajetória familiar marcada pela doença. Prissaine, sobre sonhos e futuro. Marcos, sobre o amor de uma doadora. Alexandre, sobre o valor das coisas simples.

Cada carta respondeu, de uma maneira diferente, à pergunta proposta pelo encontro: o que muda quando a vida ganha uma nova oportunidade?

Para alguns, é voltar ao trabalho. Para outros, cuidar da família, fazer planos, ensinar, viajar, simplesmente acordar sem as limitações de antes ou descobrir novos motivos para agradecer.

O 1º Encontro de Transplantados do Hospital Adventista Silvestre transformou essas experiências em memória coletiva.

Porque um transplante pode ser registrado em prontuários, indicadores e números. Mas, para quem recebe um órgão, ele também pode significar algo que nenhum número consegue traduzir completamente: a possibilidade de continuar escrevendo a própria história.

Confira o álbum de fotos aqui.